É possível amar depois dos 40?

17 de dezembro de 2015

Meninas,

Hoje o assunto é delicado. Falar de amor e sentimentos não é uma tarefa fácil. Construir uma família, estar casada e cuidar da casa e dos filhos também não é. Tenho muitas amigas separadas e sei o quanto é difícil esse processo, mas sempre digo pra elas que a vida é uma só e temos que viver um dia de cada vez!

Escolhi esse texto da psicóloga Patrícia Gebrim que nos fala muitas verdades e achei essencial compartilhar com vocês, afinal é realmente possível amar depois dos 40? Leia o que a psicóloga acha!

Antes de mais nada, é preciso que você tenha sido capaz de passar pelos ferimentos e batalhas da vida sem ter acorrentado seu coração. Ouça, é impossível chegar aos 40, sem ter sofrido uma boa quantidade de quedas, sem ter passado por frustrações e algumas (ou muitas) decepções. Impossível chegar aos 40 sem ter sido ferido, enganado, passado para trás talvez. Sem ter a pele marcada por cicatrizes, marcas de uma história vivida.
Algumas pessoas, infelizmente, endurecem seus corações e acabam desistindo de acreditar na possibilidade do amor. Tornam-se amargas, fechadas, dominadas pelo rancor ou por um medo gosmento e paralisante. Ficam endurecidas como se tivessem sido banhadas em lava de vulcão e passado anos a consolidar o seu medonho NÃO.

– Não amo mais e pronto, é mais seguro assim! — clamam, muitas vezes sem palavras, com atitudes duras que afastam de si qualquer pessoa que pudesse tocar seus tão feridos corações. E se antes foram feridas, agora se tornam, sem perceber, as que ferem. Pois não é só a maldade que fere. O nosso medo também abre cortes e ferimentos sangrentos nos que de nós se aproximam.

Mas mesmo aqueles que conseguiram evitar a morte precoce de seus corações, que evitaram o congelamento de seus sentimentos, ainda precisam, se quiserem amar novamente, saber suportar bem os momentos de carência e manter em foco o que desejam alcançar. Para esses, o desafio é a ansiedade. Movidos pela consciência da implacável passagem do tempo e pela sensação de que suas oportunidades se esgotam, acabam lançando-se cegamente a qualquer possibilidade, como se fosse sua última chance de escapar do devorador monstro de almas: a tão temida solidão. Ao fazerem isso, traem a si mesmos, afastam os possíveis parceiros e estragam suas chances de construir uma relação mais equilibrada.

É a maturidade, aliada à nossa capacidade de aprender com os tombos da vida que, antes de mais nada, nos faz ter clareza de quem queremos perto de nós. Depois dos 40 já sabemos (ou deveríamos saber!) que não basta o calor da paixão para que um relacionamento saudável aconteça. Claro que é uma delícia sentir o coração bater mais forte, mas com o passar dos anos aprendemos, a duras penas, a valorizar outros atributos menos exuberantes. Aprendemos a apreciar a generosidade, a compatibilidade de valores, a aproximação sem pressa, a gentileza, a ternura, a coerência entre palavras e atitudes e tantos outros aspectos que só podem ser percebidos na calma de nossa estrada de vida já bem explorada. Os pés cansados nos ajudam a prestar mais atenção.

foto_amardepoisdos40

Pedras preciosas são poucas

Também descobrimos que pedras preciosas não são encontradas facilmente. Na juventude temos sempre a ilusão de que um baú repleto de pedras preciosas espera por nós a cada esquina da vida, o que nos leva a duvidar do valor do que temos em nossas mãos. Não sabemos, então, que esses momentos mágicos de encontros transformadores acontecem poucas vezes em nossas vidas.

Com o tempo aprendemos que em geral é preciso cavar um bom tanto, ou passar anos peneirando à beira de um rio para se sentir o toque de uma pepita de ouro em nossas mãos. E é também a maturidade que faz com que a gente aprenda a reconhecer quando isso acontece e, sabendo do quanto é raro, segurar com força em nossas mãos e vibrar em gratidão pela oportunidade de sermos presenteados com uma pedra tão brilhante. É a maturidade que faz com que tratemos com cuidado daquela gema dourada finalmente encontrada.

Afinal, pior do que nunca encontrar uma pepita de ouro seria tê-la nas mãos e jogá-la de volta ao leito lamacento do rio por falta de olhos capazes de reconhecer seu raro valor.

Assim, do alto de seus quarenta e poucos anos, cuide para que seu coração se mantenha vivo, controle a sua ansiedade e se puder, mantenha a sua busca focada no que tem brilho… Continue peneirando pela vida e olhe muito bem para a sua peneira. Olhe com os olhos de quem quer enxergar a realidade.

Não permita que a sua ansiedade o faça confundir cascalhos com diamantes. Não permita que o seu medo o faça ficar cego e desperdiçar raros e cintilantes rubis como se esses pudessem queimar suas mãos.

Não hesite em devolver ao rio aquilo que de verdade não tem valor para você.

Mas ouça bem… quando uma pedra preciosa surgir em sua vida, não perca a oportunidade, dê o seu melhor, nunca se sabe quando outra irá aparecer!

Meninas, para quem gostou e gostaria de ler mais, a Patricia é psicóloga, de bem com a vida, e alterna seu trabalho no consultório com o prazer de escrever, como ela mesmo se descreve.

Na internet tem vários trabalhos da psicóloga! É só dar um Google.

Espero que tenham gostado.

Beijos,

Si.

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